
Raposa
Carlos Henrique Carneiro
Editora Átomo
Matreira, astuta, traiçoeira. Desde as fábulas de Esopo e La Fontaine, a literatura sempre atribuiu à raposa adjetivos pouco lisonjeiros. Nem a sapiência do animal de Saint Exupèry redimiu o canídeo, que cativou o Pequeno Príncipe às custas da banalização de sua única Rosa.
O título do primeiro romance de Carlos Henrique Carneiro - Raposa - não diz respeito ao animal, mas ao personagem principal, humano e humanado pelo autor através da narrativa, toda em primeira pessoa. A alusão fica por conta do homem esquivo, que mostra, ao longo das páginas do livro, fazer juz ao nome que carrega. Assim como a raposa despreza as uvas que não pode alcançar, Raposa transforma a sua literatura medícre em comércio barato. Vende com desprezo o produto de sua falta de talento. Desprezo este que incrementa com sarcasmo e leva para sua intricada vida pessoal e amorosa, desconstruída em acontecimentos inusitados. É por aí que a trama de enreda, levando o leitor a um passeio pela boa literatura, com direito a um desfecho surpreendente.
A pesar de estar estreando no romance, Raposa não é o primeiro livro de Carlos Henrique Carneiro. O autor, que é também professor de literatura, já escreveu livros didáticos, voltados para o vestibular, poesia, teatro. Escreveu uma coluna de cultura no Diário do Povo (Campinas), que infelizmente acabou para dar lugar a matérias sobre computadores. O ecletismo vem da capacidade de Carlos Henrique de agarrar as oportunidades de conviver com a arte e a liberdade de escrever. "Gosto mesmo da ficção, por conta da possibilidade de criar. Já escrevi contos, exercito a crônica no meu site, mas já tenho três romances, um apenas publicado. “ Da experiência com livros de literatura, veio a abertura da editora (Átomo) - essencialmente didática - para publicar um romance. “A recepção foi cuidadosa. Havia a preocupação óbvia com o resultado, daí topei bancar parte da produção.”
Como professor de literatura, Carlos Henrique não se importa com a cobrança nem com os fantasmas dos escritores que conhece tão bem. “Modéstia às favas, sinto que saí na frente de muitos (risos), pelo retorno que tenho recebido. Tenho confiança no meu jeito de teclar. Acho que sou antes um escritor que dá aulas de literatura, do que um professor que escreveu um livro.” De Raposa, seu personagem, Carlos Henrique carrega a solidão. “Solidão em torno de um mundo de vozes nas estantes. A interlocução literária, o debate corriqueiro... falta isso. O excesso de interação intelectual com as palavras de outros escritores pode gerar loucuras... ou outros livros !”
Raposa pode ser adquirido em diversas livrarias de Campinas e através do site da editora http://www.atomealinea.com.br. Caso queria comprar diretamente com o autor, basta enviar um e-mail para don.henrique@terra.com.br.
Site do autor:
http://paginas.terra.com.br/arte/carneiropreto/